quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Oi.

Argh. Pois bem.
Mais teimosia, mais um blog, mais perda de tempo (como se eu tivesse muito a perder), por mais que isso irrite e canse.


(...)
E depois disso tudo eu acordo com dor de cabeça, tenho preguiça de abrir os olhos. Abro-os como se sentisse obrigada. Olho para as paredes brancas em volta. Com sono, insisto em levantar do sofá e abro a porta de vidro. Vejo um lago, como de costume, refletindo todo o céu cinzento e toda a luz do Sol que saiu de uma fresta de nuvem.
A noite não chegou. O vento, agora, parece um pouco mais forte, o céu dá sinal de temporal. Sinto gotas no meu braço e passo a mão para secá-las, fingindo não saber que isso não adiantaria, pois já não pára de chuviscar. Parece continuar assim por algum tempo. Não ouço barulho de pássaros, de folhas, só de chuva fina e calma, mas o silêncio me ensurdece.
A noite ainda não chega. Faz frio e pego meu moletom que esqueci no braço do sofá. Vou à cozinha e começo a esquentar água pro chá. Enquanto espero, vou à sala novamente, e pego meu chinelo. Minha mente fica tão vazia nessa hora que, eu creio, só penso em fazer ações contínuas e momentâneas. Não tenho pressa e acabo sentando num banquinho perto da porta, vendo a chuva. A água ferveu e termino de fazer meu chá. E todos os pensamentos ruins passam na minha cabeça, a cada gole, como se fossem flashes. É ruim lembrar-se de coisas boas em momentos em que fazem lembrar que nunca se passou algo de bom na vida. O fato de, apenas, “viver” me incomoda. Reclamo da vida cotidiana dos meros indivíduos que, infelizmente, estão ao meu redor, mas a minha (se é que pode ser chamada assim, pois não sei se realmente tenho) não anda bem (se é que ela anda). Sem perceber minhas ações involuntárias, deparo-me em frente à porta aberta de vidro. A chuva é quase imperceptível. O vento, agora, faz barulho e sinto meus pés frios por esquecer, propositalmente, meu par de chinelos na cozinha. Não ligo mais pra isso. É paradoxal: tudo parece tão branco e claro por fora, mas é como se pudesse sentir tudo tão nublado e cinzento por dentro.
A noite parece não querer chegar. O chá não me importa mais. O lago é apenas fruto daquilo que não quero sentir, mas quero ver. É meio estranho ficar sozinha onde é tão bonito. As árvores, de longe, balançam e sinto medo. Medo de não saber o que é, medo de não saber o que está, exatamente, na minha frente, porque não tenho certeza se é mais um sonho de que você levanta de onde estava dormindo. E o pior é que não se sabe de onde vem tanto ódio do céu por querer começar a chuva de novo, e dessa vez mais forte. Os pensamentos ruins continuam, é claro; eles não podem parar, ainda mais com um tempo tão favorável a eles. Não quero saber se preciso fazer tal coisa pelo fato de amanhã ser tal dia, é que eu só quero pensar o que podia ser pior que isso. A solução pra isso é ficar olhando isso acontecer; ficar exatamente onde estou sem fazer algo significativo pra mudar. Aí vem aquela sensação de que não preciso me importar com o que acontece depois, porque não o terá.
A noite não chegará.

Um comentário:

Anônimo disse...

"É paradoxal: tudo parece tão branco e claro por fora, mas é como se pudesse sentir tudo tão nublado e cinzento por dentro."

Muito bonito!
Me fez ver coisas *-*